quinta-feira, 9 de julho de 2009

Produção dos alunos - Por Rodrigo Freitas



Após sair da palestra da professora Paula Sibília, não me veio um exemplo mais claro deste uso da artificiação da matéria orgânica, do que o Programa Dr Hollyood.

Abaixo a descrição do programa:


“No Dr. Hollywood você assiste em primeira mão ao que acontece nos bastidores do universo de quem tem o corpo alterado de maneira sutil ou radical.”

“A série revela o dia-a-dia do médico com um olhar diferenciado, pois navega também em sua vida pessoal. Além disso, você acompanha também o passo-a-passo de uma operação e os riscos que os pacientes correm a partir do momento em que entram na sala de cirurgia.”

“O mais ocupado e procurado cirurgião plástico de Berverly Hills, Dr. Robert Rey nos leva toda semana à sua incrível e bem-sucedida carreira e à sua vida pessoal entre ricos e famosos de Bel Air, através do seu programa “Dr. Hollywood” aqui na RedeTV. Os espectadores irão ter uma visão privilegiada das técnicas mais avançadas em cirurgias plásticas, conhecer a intimidade de pessoas que fazem tudo pela perfeição, vivenciar sua vida com a esposa e parceira de negócios Hayley e sua filha de três anos, Sidney, no mundo de fantasia de Berverly Hills.”

”Dr. Rey, um cirurgião plástico formado pela Faculdade de Medicina de Harvard se especializou em cirurgia plástica com o mínimo de cicatriz, ou seja, suas operações são responsáveis por deixar a cicatriz o mais imperceptível possível. Pelo fato de ele tratar de muitas estrelas, da TV e do cinema, e modelos badaladas, ele tem o maior cuidado de não deixar cicatrizes e manter as pessoas com um visual natural”

Na palestra a professora Paula Sibília abortou o seguinte questionamento; “Até que ponto é possível “aperfeiçoar” um corpo?” e no decorrer de suas exposições ela citou como exemplo da antiguidade o Pigmaleão que era um escultor e rei de Chipre que se apaixonou por uma estátua que esculpira ao tentar reproduzir a mulher ideal.

Seria o Dr. Hollwood um exemplo de Pigmalião moderno? Onde com todas suas técnicas, ele produz "criaturas perfeitas"? Nesta comparação podemos atentar para a não existência do fator romântico que torna o caso de Pigmaleão um tanto lúdico e curioso. No Dr. Hollwood o que se vê é a personificação de uma criatura que por si só, já é espetacularizada. E para intensificar o espetáculo que é o programa, vemos as cirurgias plásticas, que produz novas criaturas, como tema principal.

Atualmente tornou-se habitual esta passagem do natural para o artificial, e cada vez mais nos deparamos com estas criaturas quase andrógenas. Que já perderam o senso do que realmente é aceitável. Na palestra, a Paula citou o advento das ferramentas digitais, que produzem imagens corporais "perfeitas" e intensifica esta idealização de um corpo "perfeito".

Passando uma sensação de facilidade ao fazer as cirurgias, o Dr. Hollwood transforma uma cirurgia complexa e dolorida em uma coisa simples. Nos anúncios onde se exibe fotografias de antes e depois das cirurgias plásticas, também encontramos esta tentativa de passar facilidade ao fazer uma cirurgia plástica.

Com esta falsa facilidade nas cirurgias, as pessoas são conquistadas e a utilizam para melhorarem suas aparências e cada vez mas moldar este eu - personagem que atua nos filmes-vidas que Neal Gabler cita no seu texto "Vida, O Filme - Como o entretenimento conquistou a realidade". Neste mundo que nem mais os corpos são verdadeiros, a sociedade segue para um verdadeiro teatro de fantoches, onde as pessoas viram personagens e seus corpos a caracterização desses personagens.

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